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LEITURA É PRIORIDADE

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Quanto mais se discutem alternativas que elevem os índices de qualidade em educação, tanto da escola pública como da particular, mais a leitura se converte na principal atividade de todo o contexto escolar.

Quanto mais complexo se torna educar uma criança ou um jovem, numa sociedade marcada por individualismo, alienação e consumismo, mais a formação do leitor se torna o caminho seguro para a independência de pensamentos e a capacidade de julgamento.

Quanto mais se avalia a importância dos vínculos e da qualidade de relações entre pais e filhos, professores e alunos, família e escola, mais a atitude reflexiva, a subjetividade e a sensibilidade se configuram como valores incondicionais que podem ser desenvolvidos no exercício da leitura. 

A leitura é vista aqui não como panacéia, mas como atividade civilizadora que promove a habilidade argumentativa do leitor quando este dialoga com a história do pensamento humano ao longo dos séculos.

Entretanto, na contramão do discurso sobre a importância da leitura, está toda a realidade de analfabetos funcionais no Brasil, onde apenas um em cada quatro brasileiros está realmente habilitado para a prática leitora, e o índice nacional de leitura é menos de dois livros lidos por habitante/ano. Parece haver falta de disponibilidade da sociedade em geral para a leitura.

Será que a leitura se tornou luxo de poucos? Domenico de Masi, sociólogo italiano, afirmou que, no passado, luxo podiam ser dinheiro, carros de muitas cilindradas ou barcos; hoje, as coisas raras são tempo, espaço, silêncio, autonomia e segurança. Talvez a leitura não seja luxo, mas certamente o ato de ler requer dispêndio de tempo, espaço adequado, silêncio e autonomia, tornando-se, então, algo realmente raro.

Como estamos no início de mais um ano letivo, na condição de professores, pais e/ou alunos, precisamos avaliar qual seja nossa disponibilidade para ler, pois educação e cultura são áreas estratégicas no projeto de desenvolvimento pessoal e profissional. É preciso ter tempo suficiente para a leitura, questão de prioridade nacional.

Rosane de Mello Santo Nicola
Coordenadora científica do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Educação Dom Bosco e mestre em educação

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